Guaco: benefícios e propriedades medicinais

O guaco (Mikania glomerata) é uma planta medicinal também conhecida como guace, cepu, cipó-de-cobra, cipó-da-caatinga, erva-das-cobras, erva-das-serpentes, huaco, dentre outros nomes populares. Inclui os sinônimos botânicos Mikania cordifolia, Mikania laevigata e Mikania guaco. Pertence a família Asteraceae.

Benefícios do guaco

As espécies Mikania cordifolia e Mikania glomerata são muito utilizadas no Brasil. Índios brasileiros utilizam o guaco para o tratamento de picadas de cobra, aplicando compressas do caule e da folha diretamente no local da ferida. Da mesma forma, é feito uma infusão de folhas para febre, desconforto estomacal e reumatismo. Indígenas guianeses da Floresta Amazônica aquecem as folhas e aplicam em erupções cutâneas e prurido. Também é um popular anti-inflamatório, antiespasmódico e analgésico para reumatismo, artrite, inflamação intestinal e úlceras.

A decocção das folhas é aplicada externamente para neuralgia, dores reumáticas, eczema e feridas. Estudos concluíram que a espécie Mikania glomerata é indicada para o tratamento de várias doenças respiratórias.

Xarope de guaco

O xarope de guaco é extremamente popular no Brasil para o tratamento de tosse e outras doenças respiratórias. Em 1870, um medicamento herbal brasileiro chamado de Opodeldo de Guaco, feito a partir de folhas e caules, foi considerado um remédio santo para tratar bronquite, tosse e reumatismo, sendo que tal medicamento ainda é muito usado na cultura popular. O guaco é considerado um eficaz broncodilatador natural, expectorante e antitussígeno, empregado para todos os tipos de problemas respiratórios superiores, incluindo bronquite, pleurisia, gripes e resfriados, tosse e asma, bem como para dor de garganta, laringite e febre.

Pesquisas científicas

Em 2002, um grupo de pesquisa do Brasil informou que os extratos de folhas de Mikania glomerata inibiu significativamente as contrações histamina e evidenciou um efeito relaxante da traqueia (garganta) em cobaias, reduzindo significativamente o inchaço, edema e vasoconstrição em ratos injetados com veneno de cobra. A inflamação foi reduzida em cerca de 80%.

O extrato da Mikania cordifolia demonstrou atividade antiprotozoário muito forte contra o Trichomonas vaginalis e o Trypanosoma cruzi, sendo considerado um dos extratos vegetais mais fortes para a finalidade. Em outra pesquisa, foi relatada ação antibacteriana in vitro contra a Candida albicans. A folha de guaco é uma fonte significativa cumarina, substância utilizada para produzir um anticoagulante comumente utilizado para diluir o sangue, semelhante ao medicamento Cumadin. Os efeitos anti-inflamatórios da erva são atribuídos em parte a cumarina. Possui ainda em sua composição ácido cinâmico, glicosídeos, ácidos caurenóico, estigmasterol, taninos, resinas e outros componentes.

Contraindicações e efeitos colaterais do guaco

Pessoas que fazem uso de drogas anticoagulantes não devem utilizar o guaco sem recomendação médica profissional. Doses grandes podem causar náuseas, vômitos e diarreia.

História e curiosidades

O gênero Mikania é o maior de lianas tropicais, que representam mais de 300 espécies de videiras. Várias tribos indígenas acreditam que esmagar folhas aromáticas frescas afugenta cobras, por isso, a erva também é popularmente chamada de cipó-de-cobra e erva-de-cobra.

O guaco compreende várias espécies semelhantes que são usadas praticamente para os mesmos fins medicinais, incluindo a Mikania guaco, encontrada na América do Sul, sobretudo no Brasil, Peru, Venezuela, Bolívia, Colômbia e Equador; Mikania cordifolia, encontrada na América Central, em países como Guatemala, Honduras, México, Costa Rica e Panamá; Mikania glomerata, encontrada principalmente no Paraguai e Venezuela e a Mikania laevigata, catalogada apenas no Brasil. Essas espécies fazem parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS).

Referências:
Moura, R. Soares, et al. “Bronchodilator activity of Mikania glomerata Sprengel on human bronchi and guinea‐pig trachea.” Journal of Pharmacy and Pharmacology 54.2 (2002): 249-256.M.
Chaboo, Caroline S. “First report of immatures, genitalia and maternal care in Eugenysa columbiana (Boheman)(Coleoptera: Chrysomelidae: Cassidinae: Eugenysini).” The Coleopterists Bulletin 56.1 (2002): 50-67.

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